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    CONSAGRAÇÃO À JESUS

     

     CONSAGRAÇÃO À JESUS

     

    Jesus,

    Meu Senhor,

    Príncipe da Paz,

    Bom Pastor!

    Tu és a pureza em luz ,

    Exemplo verdadeiro de amor.

    Alegria dos anjos,  

    Refúgio dos homens,

    Pelo mistério da Tua encarnação,

    Nos ensina, oh Espírito Santo,

    A perseverar nos passos da evolução...

     

    Jesus, Jesus...

    Tu és o caminho, a verdade e a vida,

    É na doçura que me seduz,

    Fruto da tua bondade infinita!

    Como posso ser indiferente?

    Se o teu amor é como chama

    Que abrasa e cura,

    Tu és o supremo bem,

    Pois não conhece a censura.

     

    Jesus amado,

    O teu zelo é tão pungente,

    Que não me faço mais de rogada,

    Quero seguir Contigo a minha estrada,

    Quero fortalecer meu espírito doente.

    Pelo teu nascimento, por tua morte e ascensão,

    Entrego-me a Ti nessa noite

    E me transformo em humilde oração:

    - Seja a lâmpada do meu viver,

    Rege minha inteligência,

    meu coração...

    É meu livre-arbítrio escolher,

    A quem me consagro nessa existência,

    A quem me espelho nessa missão...

     

    06.02.2017

     

    Elaine Bertone 

     



    Escrito por Elaine Bertone às 21h13
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    SEMEADOR DA MENSAGEM

     

     

     

    SEMEADOR DA MENSAGEM

     

    O semeador saiu a semear 
    E as sementes eram as suas palavras.
    Muitas foram jogadas ao ar;
    Outras, entre areias e pedras... 

     

    Algumas sufocaram em espinhos
    E outras ainda, queimadas ao sol.
    Parte delas, porém, caíram em bons domínios
    E multiplicaram como um campo de girassol.

     

    Diga a que seu coração se equipara?
    A uma terra fértil ou inamistosa... 
    A palavra é como grão de mostarda, 
    Mas logo se torna árvore frondosa.

     

    Deixe nascer a mensagem
    Como um fruto sob encomenda; 
    É dentro do peito que se faz a aragem; 
    ... O semeador  só deseja a sua oferenda.

    11/11/16 

    Elaine Bertone



    Escrito por Elaine Bertone às 20h10
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    VALORIZE A VIDA !

    VALORIZE A VIDA!


     

    Vida...

    O maior presente,

    A maior dádiva!

    A oportunidade divina

    De aprendizagem

    E evolução...

    Abra-se aos sentidos!

    Desabroche como um botão...

     

    A vida é cheia de graça,

    Traz consigo a magia e  a  emoção,

    Abra-se aos sentidos,

    Faça dela uma oração!

    O perfume da vida é volátil 

    Mas ela pulsa por todo universo e em toda  frequência

    Não há o que seja mais versátil

    Na luta pela existência.

     

    Faça valer o dia,

    Faça valer a hora.

    Em seu tempo indefinido e incerto,

    A vida é um mistério que seduz,

    Faz de nós viajantes eternos,

    em cor,  energia e luz!

    Não, não passe a vida em branco,

    Valorize-a  em cada inspiração...

    E se necessário for,  passe-a a limpo,

    Pelos  sentidos da consagração.

     

     

    Elaine Bertone – 15.09.16




    Escrito por Elaine Bertone às 00h44
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    SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO

    SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO


    EQUILIBRA SUAS EMOÇÕES

    ATRAVÉS DOS SEUS VALORES MORAIS,

    PARA BEM CUMPRIR SUA MISSÃO

    É PRECISO VENCER OS INTERESSES PESSOAIS.

    NÃO SEJA INSÍPIDO, NEM INSOSSO,

    EQUILIBRA SUAS EMOÇÕES

    PARA NÃO IR DE UM EXTREMO A OUTRO,

    SOIS O SAL DA TERRA

    E A LUZ DO MUNDO!

    O TEMPERO NA DOSE CERTA,

    CONSERVA O QUE HÁ DE MAIS PURO...

    RESPLANDEÇA A SUA LUZ

    SOBRE OS IRMÃOS CONFUSOS,

    ESSA É A TAREFA QUE JESUS

    NOS DEU A TODOS...

    A LUZ É A FÉ QUE HÁ EM TI,

    O SAL, A CONVICÇÃO QUE O DEIXA ESTÁVEL,

    O SAL EQUILIBRA,

    A LUZ, ORIENTA,

    SEJAMOS ESSA CHAMA INDELÉVEL,

    SEJAMOS UM CRISTAL QUE ALIMENTA...

     

     

    13.06.16 -  ELAINE BERTONE



    Escrito por Elaine Bertone às 13h44
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    BEM E MAL

                   BEM   E   MAL

     

    Sombra e luz,

    bem e mal, 

    complexa realidade que se contradiz

    no universo sideral.

     

     

    Serão mesmo opostos?

    Algo que me diz que não...

    Se a fonte de tudo é Deus

    há que se ter compreensão:

    um é ausência do outro.

     

     

    Sem luz, surge a escuridão;

    sem amor, o mal se manifesta.

    Não há fórmula, não, 

    mais exata que essa. 

     

     

    Para que mistificar o mal,

    que por si só não existe, 

    somente o bem é real, 

    somente a luz que por tudo incide...

    Se a sombra sorrateira aparece,

    ela tem a nossa permissão, 

    vem rasteira pelo pensamento

    e logo se transforma em ação...

     

     

    Dizem que cada um de nós

    tem dois lobos à disposição,

    um é sombra, outro, luz.

    Qual dos dois alimentar?

    Cabe a você a decisão... 


    06.06.16 - Elaine Bertone 


     

     

     




    Escrito por Elaine Bertone às 11h53
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    AS FOLHAS DO BAMBUZAL

     

     

     

    AS FOLHAS DO BAMBUZAL 

     

    As folhas do bambuzal

    fazem poesia no ar

    em queda livre ao chão.

    Na harmonia gestual

    são hélices silenciosas

    sem a menor frustração...

     

    Em seus gracejos de alegria e paz  

    fazem a passagem de um estado ao outro.

    São acrobacias naturais,

    que realizam em pleno arroubo.

    O que podem elas nos ensinar?

    Talvez  o maior dos segredos...

    Experenciar o desapego

    é vencer todos os medos...

     

    Nos caules compridos

    se elevam

    e ao se soltar, dançam alegremente

    elas conhecem seus ciclos

    e se entregam completamente.

    Quisera eu assim viver e me comportar

    Como as folhas singelas de um bambuzal

    Quando a minha hora chegar...

     

    16.12.2015.  Elaine Bertone

     

     

     

     

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 11h39
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    OUTONO DE 2016

    OUTONO DE 2016 

     

    Esse Outono

    arbitrário 

    e sem dono...

    brinca de esconde-esconde com a gente...

    Salta de uma estação a outra, 

    disfarçadamente... 

    Entre um verão intenso 

    a um inverno rigoroso,

    ele desaparece por encanto, 

    como moleque tinhoso. 

    Ah! Meu querido Outono... 

    Já sinto saudades de ti, 

    não faças isso de novo... 

     

    29.04.2016-  Elaine Bertone 




     





    Escrito por Elaine Bertone às 11h22
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    C í R C U L O S

     

     

     

    C Í R C U L O S

    Adoro círculos, esferas, circunferências...
    Sol, planetas, circos e balões
    causam em mim a impressão perfeita.
    O sonho, a fantasia, o universo...
    São como confete – essa forma ideal
    Que me enche a menina dos olhos
    no meu belo e particular carnaval.

    09.02.2016
    Elaine Bertone



    Escrito por Elaine Bertone às 17h54
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    PESCADORES

    P E S C A D O R E S 

     


    A pureza
    Na índole dos pescadores 
    Foi o que mais atraiu Jesus 
    A humildade, assim como a beleza 
    Tem essa força que encanta e seduz 

    A pureza 
    Na índole dos pescadores 
    Nos remete à beleza da criança.
    Na credulidade e inocência 
    Ela compactua com a esperança.

    A pureza
    Na índole dos pescadores 
    Deveria ser nosso espelho 
    Já que a fé não prospera na incerteza 
    E não crescemos sem os devidos labores 

    O Mestre foi o maior pescador do planeta 
    E Ele nos chama para essa missão, 
    Pescadores, sim, de outros homens,
    Os que se encontram na escuridão... 

    Elaine Bertone 13.04.2016



    Escrito por Elaine Bertone às 13h36
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    OUTONO TARDIO

     


    OUTONO TARDIO


    Hoje eu respirei o outono 
    No frescor da manhã, 
    E depois de um intenso verão, me pareceu um sonho
    despertar, assim, com o canto do açanã...

    É como se frutificasse agora, um ciclo tardio
    Que povoa a terra de folhas 
    Dentro de um clima gentil...
    O vento nesta estação

    nos beija a face com delicadeza

    Como quem traz uma doce emoção... 

    Na bandeja...

     

    Elaine Bertone

    14.04.2016

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 12h27
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    V A Z I O 

    Há um certo vazio em mim 
    Que não se preenche, 
    É uma velha lacuna
    de nascença, 
    um alinhavo torto, 
    que destoa 
    com a minha voz interna de esperança...

    Há um certo vazio em mim 
    Que não me deixa,
    Uma velha lacuna 
    De nascença, 
    Uma dor arredia, oportuna 
    como uma velha memória 
    que não cansa...

    Há um certo vazio em mim
    que se faz de tonto, 
    finge não mais existir
    ao se perder no tempo,
    Há um certo vazio enfim 
    Que resiste
    até não poder mais, 
    vive como uma tortura branda 
    e desconhece a paz.

    Há um certo vazio 
    que ainda procura 
    tateando pelo caminho 
    a sua tão sonhada cura, 
    a luz que recuou no túnel, 
    mas que ainda está lá, 
    há um certo vazio em mim 
    que um dia vai se acabar... 

    02.08.15 – Elaine Bertone



    Escrito por Elaine Bertone às 11h57
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    O XADREZ

     

     

    O XADREZ 

     

    O XADREZ

    Divisão de classes ;
    Jogo da vida; 
    Peão, rei e rainha 
    Andam em plena avenida.

    Aqui no tabuleiro 
    Me avizinho com mil torres 
    e um cavalo sem dono... 
    ... Ninguém sinaliza 
    Se ainda é outono, 
    Mas as peças caem 
    Suarentas de cansaço...
    E eu me vejo no xadrez 
    Com menos e menos espaço.

    Quando se diz xeque-mate, 
    Salve-se então quem puder, 
    Alguns comem de garfo e faca, 
    Outros sequer têm colher... 
    Bispos e monges tibetanos 
    Oram pelos homens 
    Chamados de humanos.
    Mas que grande ironia
    esse jogo matreiro, 
    depois do fim, há um novo recomeço, 
    Para sorte ou azar, 
    De quem está no tabuleiro.

    Elaine Bertone 08.11.15



    Escrito por Elaine Bertone às 11h46
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    O EVANGELHO

     

     

     

     

    O    E V A N G E L H O

     

     

    EVANGELHO

    É PALAVRA GREGA

    E SIGNIFICA BOA NOVA,

    É ELE QUEM ANUNCIA

    O CUMPRIMENTO DA ANTIGA  PROFECIA

    QUE FALAVA  

    DA CHEGADA DO MESSIAS

     


    AH! O  VELHO ENVANGELHO

    SEMPRE TÃO NOVO E ATUAL

    É A OBRA QUE  RESISTE AO TEMPO

    PORQUE O AMOR E  SÓ ELE  

    É ATEMPORAL

     

     

    QUEM BUSCA A FÉ,

    A CONSOLAÇÃO E O CONSELHO

    HÁ QUE ENCONTRAR TODAS AS RESPOSTAS

    NO EVANGELHO.

    É A  NOSSA REFERÊNCIA,

    NOSSO ESTUDO, NOSSO PÃO,

    ELE TRAZ LUZ À NOSSA EXISTÊNCIA,

    É  ALIMENTO  DA  ALMA

    E DO CORAÇÃO.

     


    CONHECEMOS  JESUS NO EVANGELHO,

    AQUELE QUE MUDOU TODOS OS CONCEITOS,

    SUA MISERICÓRDIA ABRASOU A TERRA

    E NOS FEZ A TODOS ELEITOS.

    O MESTRE DESPERTOU EM NÓS A DIVINDADE,

    QUANDO NOS ENSINA

    A SEGUIR O SEU EXEMPLO,

    A MISSÃO DE AMOR E  CARIDADE

    É O MELHOR CAMINHO

    EM QUALQUER TEMPO.

    POR ISSO SEM NENHUM TEMOR

    FAÇA DO ENVANGELHO, O SEU GUIA

    PORQUE A PRÁTICA DO AMOR SERÁ, SIM,

    A SUA  MAIOR  ALEGRIA. 


    07.03.16

    ELAINE BERTONE

     

     

     


     

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h35
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    A OPÇÃO

     

    A OPÇÃO

     

    Se a vida quebra meu orgulho

    E egoísmo...

    Por mais dor que eu sinta,

    Eu agradeço...

    Sou uma simples aprendiz

    Que caminha aos tropeços...

     

    Se a vida me mostra

    Que pelas faltas cometidas

    Eu adoeço...

    Por mais dor que eu sinta,

    Eu agradeço.

    A aprendizagem é de fato

    Um longo processo.

     

    Se a vida me mostra

    Que perdas e feridas são necessárias

    E que através delas aprendemos

    a ter compaixão...

    Eu vejo que as perdas são ganhos

    E me empurram no caminho da evolução.

     

    Viver não é tarefa fácil,

    Cada qual tem sua cruz e seu quinhão...

    Oxalá possamos aprender com amor,

    Porque a dor é sempre

    a outra opção.

     

    02.03.16

     

    Elaine Bertone



    Escrito por Elaine Bertone às 11h50
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    ESTADO DE GRAÇA

    ESTADO DE GRAÇA

     

    Senhor,

    Quando a Tua Graça

    Se manifesta,

    Somos só alegria

    E festa,

    Somos um vaso novo

    Nesse momento,

    Somos simplesmente

    Plenos de contentamento.

     

    É justamente numa hora dessa

    que nos damos conta de quem somos!

    A divina Graça

    É o que herdamos

    Quando na fé a Ti nos ligamos.

    Não há tesouro maior

    Que se iguale a esse presente,

    A tua Graça

    é mais que ouro ou diamante

    É o sopro da vida

    Que se faz nascente...

     

    Não somos mais que uma semente;

    Numa fase germina,

    Em outra morre e volta a nascer...

    É na cadência sucessiva das idas e vindas,

    Entre um plano e outro

    Que vamos lapidando nosso Ser.

     

    Porque  és  eterno, oh Pai,

    Trazes em Ti toda verdade.

    É pela graça que nos vêm à lembrança

    De que somos herdeiros 

    Da mais rica herança:

    A imortalidade !

     

     

    Elaine  Bertone

     18.02.16



    Escrito por Elaine Bertone às 14h15
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    O VERBO

    O  VERBO

     

                       

    O princípio era o verbo

    E o verbo era Deus...

    Tudo o que há, por certo

    Foi dito antes 

    Com a ideia em ação...

    O verbo era vida e ainda o é...

    A palavra  é poder de criação!

    Nela tudo se fez,

    Nela tudo se faz,

    Luz,  terras e mares

    A palavra é semente

    Que fez dos luzeiros aos homens.

     

    Eis a ferramenta divina

    Que herdamos Daquele que É, Foi e Será,

    Com ela podemos agir, construir

    E sonhar...

    Que possamos ter a inspiração,

    Mas sobretudo escolher cada palavra dita,

    Tudo o que se diz com amor,

    Se multiplica...

    Vale dizer, ainda, que o contrário, também é verdadeiro,

    A palavra  arruína, desconstrói e maldiz;

    Ela pode levar alegria

    Ou pode deixá-lo infeliz.

    O verbo é muito poderoso

    Cabe a você decidir  

    Não se esqueça, porém,

    Do efeito bumerangue

    Que ele tem...

    Tudo o que vai, volta

    Sob a lei da ação e reação...

    Escolha a palavra do bem e da verdade,

    Somente então...

    Conhecerá o caminho da vida,

    Da luz e da felicidade...

     

    O princípio era o Verbo

    E o verbo era Deus...

    Tudo o que há por certo,

    Foi dito antes,

    Com a ideia em ação,

    Assim é o verbo nos lábios seus:

    Imenso poder de criação...


    Elaine Bertone 

    10.01.2016



    Escrito por Elaine Bertone às 15h35
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    N A T A L

     * N A TAL *

     


     

    Nasce a luz do mundo,

    para revelar

    o amor mais sublime

    e profundo,

    que a humanidade já viu.

    E ela veio  de uma criança

    que chega tão terna, 

    tão mansa...

    para trazer a mensagem da paz

    e da esperança...

     

    O Natal é o sentido absoluto

    do perdão,

    este que opera milagres através da fé.

    Ele nos apresenta um só Pai,

    e a divina promessa da salvação.

    O Natal nos traz Jesus

    no seu amor infinito

    através da cruz ,

    essa, que também levamos no dia-a-dia  

    e que se torna leve

    a cada gesto de renúncia pessoal.

    O sentido da cristandade

    e do amor verdadeiro

     é a máxima  do Natal...


    Que possamos ver nessa data

    a chance da intimidade

    com a criança que em  nós existe.

    Que  ela nos abençoe  

    na humildade no renascimento

    porque somente tristes,

    pobres e nus

    podemos compreender

    o gesto magnânimo  

    do menino Jesus...

     

    15.09.15

    Elaine Bertone

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h53
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    MUTANTE

     

     

     M U T  A N T E 

     

           Por Elaine Bertone                                                                

     

                     

     

    Essa minha amiga

    a lua,

    cheia de me dar recados,

    está minguando

    por ver meu estado...

    mas, não me entrego,

    renovo sempre um sonho

    ... ela me acompanha

    é nova a lua,

    ... eu amo.

     

    E  cresce a paixão novamente

    e ela  sorrindo se enche,

    quer espaço,

    fome de domínio,

    ...algo mutante em transe.

     

    14,06.84



    Escrito por Elaine Bertone às 16h24
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    RETRATO DE INVERNO

    RETRATO     DE     INVERNO 

    Por  Elaine Bertone


    Sob camadas 
    a cálida neblina 
    absorta em luz 
    simplesmente descortina 
    a brancura da manhã. 
    E a relva orvalhada 
    em tênue matiz 
    transmite aquela sensação 
    de quando estamos em transe, 
    assim como alguém feliz... 

     09.02.1982

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h33
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    A PRIMAVERA ACENA...

    A  PRIMAVERA  ACENA ...

    Por Elaine Bertone


    A primavera acena

    com lenços que se levantam ao céu,

    que se agitam em cores ao vento

    numa festa silente, 

    puramente visual... 

     

     

    A primavera acena esperança,

    num ato de renovação da natureza.

    Quando as flores explodem entre os galhos secos,

    a primavera acena para a sua existência.

    Na milagrosa  mutação do caos,

    quem tem olhos de ver,  que veja!

     

     

    03.09.2008 

     


       

                                                  



    Escrito por Elaine Bertone às 13h49
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    MÃOS

     

    M Ã O S 

     

    Trêmulas, nervosas,
    dançam no ar 
    buscando talvez 
    seus porquês,
    essas mãos 
    querem outras 
    para se dar 
    para unir uma por vez 
    em busca da paz 

    Elaine Bertone 
    19.07.79



    Escrito por Elaine Bertone às 12h30
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    INTIMIDADE

     

    I N T I M I D A D E


    Bem que procurei

    nos livros,

    nos versos de outros,

    um trecho coerente,

    uma oração certeira,

    um acorde plangente,

    que impressionasse os sentidos

    e se fizesse paz.

    Procurei, sim, e bem sabe,

    Mando, por fim,

    a autenticidade,

    um doce caseiro,

    num prato de uso,

    compreenda,

    é simples a intimidade.

     

    Elaine Bertone

     

     

    04.05.84



    Escrito por Elaine Bertone às 12h14
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    O QUE SERIA...

    O QUE SERIA... 

     

    O que seria de mim, 

    se não houvesse os sonhos, 

    a fuga transitória 

    dos enganos...

    ou o fluido solto 

    da imaginação fértil, 

    que aconchega o louco 

    coração sensível


    O que seria de mim

    se não houvesse os versos, 

    para conter

    todos os meus pensamentos,

    para dizer 

    todas as minhas palavras

    para sonhar 

    todos os meus sonhos...


    O que seria de mim 

    se não houvesse a fé na evolução,

    para dar paz a minha mente cansada, 

    ao meu corpo exausto

    perdido no mundo, em pleno contraste 

    com a idealização. 


    O que seria de mim... 

    1984 -   Elaine Bertone

     

     

     



     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 11h58
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    SIMPLESMENTE É

    SIMPLESMENTE  É


     

     

    Sinto emanar de você,

    fluidos doces,

    afetuosos,

    que não se veem,

    porém, sólidos, indestrutíveis,

    que tocam meus sentidos,

    no que têm de mais distraído.

    Parece não ter início,

    porque sempre existiram...

    ...algo como um sentimento antigo

    e em nada passivo.

     

    Recanto de paz,

    de sorte e mais...

    necessidade de alma,

    de ver e falar,

    um bem querer,

    sem hora e lugar

    que simplesmente é.

     

    Elaine Bertone

     novembro/97

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 18h37
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    MÃE

    M Ã E ...

     

             Que palavra pode ser mais bela,

             Sinônimo de pura devoção,

             O primeiro amor e a primeira morada de um ser...

             Mãe é colo, conselho e aflição...

             É vida, renúncia e paz.

             O melhor presente que se pode ter,

             É presença divina em nós...

                            

                  10.05.14

     

              Elaine Bertone 





    Escrito por Elaine Bertone às 18h06
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    GUARDANAPO DE BAR

     

    GUARDANAPO DE BAR

    Aquele guardanapo azul,
    em que você deixou seu nome 
    ainda está na minha bolsa...
    é quase um velho baú,

    embora  não pareça grande cousa.
    Por sua caligrafia 
    eu posso passear pelos laços, 
    interpretar pontos, espaços
    e redescobrir você...
    Aquele guardanapo 
    é tudo o que me restou... 
    Há vestígios de alguém ali,
    um enigma a ser decifrado,
    uma personalidade gráfica
    naquele objeto guardado...
    Aquele guardanapo de bar 
    não é qualquer papel
    há um nome registado nele,

    é como se fosse um anel,
    um signo que se revela 
    à minha insana curiosidade.
    E como obra de arte 
    ou peça de antiguidade 
    ele atrai meu olhar atento.
    Quem dera esse guardanapo 
    fosse só mais um lenço,
    ...sem registro, intenção ou cilada,

    apenas um papel em branco,
    sem resquícios de vida,  sem nada...


     Elaine Bertone -05.07.15

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 17h59
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    A MURALHA

     

     

     

    A MURALHA

    Por   Elaine Bertone

    Ela pensa ser livre 
    dentro da sua muralha. 
    Parece desconhecer o que está fora
    e também o que lhe vai dentro... 

    Ela pensa ser livre, 
    condicionada à mesmice dos seus iguais,
    que não se arriscam além muro,
    Por simples temor aos temporais.

    Ela pensa ser livre 
    vivendo em paz, 
    sem ultrapassar os limites, 
    sem vontades a mais... 

    Ela pensa ser livre 
    e por pensar, acredita... 
    Talvez seja a sina das santas,
    mas há quem diga 
    que é a das loucas e malditas... 

    (Elaine Bertone) julho/2015



    Escrito por Elaine Bertone às 17h47
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    A RIMA DO MEU VERSO

     

     

    A RIMA DO MEU VERSO **

     


     

    Estou a minha procura,

    à cata de uma resposta,

    indignada com a loucura,

    com medo de ser a própria...


    Que faço eu nesta encarnação

    que me foi dada pelos deuses

    astronautas ou não...

    Esta chama que me devora os olhos,

    não se iguala às palavras

    que eu amoldo em versos...


    Minha sede de viver e questionar

    é mais alta que a minha estatura,

    minha silhueta é miúda,

    mas a visão interior é irriquieta

    e aguda,

    perturba nas horas mais impróprias,

    como agora: taças, brindes, risos...

    há uma festa ao meu redor

    e os meus sentimentos confusos

    se misturam ao licor


    Será o amor um conflito?

    Nas horas de silêncio,

    às escuras,

    só eu mesma ouço o meu grito...


    Amar como eu amo,

    talvez seja loucura,

    o que importa é o estratagema

    de viver uma grande aventura

    e amar contra todo o sistema

    que ainda se mostra perplexo.

    O amor não tem fronteiras,

    está além do ortodoxo

    mas o tabu,

    esse é a rima do meu verso,

    o tabu é ainda uma questão de sexo...

     

    Por Elaine Bertone / ano: 2000

    ** (Esse poema foi iniciado muito antes de ser concluído no ano 2000.  Ele é fruto de muitos conflitos éticos, religiosos e sociais... Foi sendo retocado e amadurecido com o passar dos anos, mas retratou um período de inquietação, rebeldia e inconformismo, em que uma adolescente questionadora sentiu a ncessidade de desabafar.) 


     



    Escrito por Elaine Bertone às 20h15
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    MELODIA PARA WALTER

     

     

    MELODIA PARA WALTER

     

    Doce encanto

    lembre-se de mim 

    na música do vento

    no místico luar 

    na noite 

    em seu negro manto 

    derramando bálsamos 

    na areia do mar 

     

    Doce encanto 

    que sutil poesia 

    nos enlaçava 

    nos envolvia...

    só para os nossos sentidos 

    só para a nossa alegria

     

    Doce encanto 

    ainda me lembro do beijo 

    quando em você me concentro 

    quando em você eu me inspiro

    E retomo cada momento 

    retido no brilho dos olhos

    e no meu pensamento

    Doce encanto 

    sublime seja o seu caminho

     

     

    1979

    ELAINE BERTONE 



    Escrito por Elaine Bertone às 18h00
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    POESIA

       

       P O E S I A 

     

    A poesia está em tudo,

    Mas sobretudo no detalhe,

    No traço, na entonação,

    No entalhe...

     

    A poesia é  voz presente,

    cuja audição requer apurado sentido,

    vive  despretensiosamente,

    como um verso descabido...

     

    É preciso um olhar mais atento

    e uma alma etérea,

    para perceber seu encanto, 

    em camuflada  quimera...

     

    Sutil e delicada,

    a poesia é  quintessência,

    e mesmo  pulverizada...

    ela se aninha e se aventa

    é pétala,  apesar do espinho,  

    é  uva, videira e vinho.

    Sem ela a vida inexiste,

    É  lágrima, pranto,  ...

    e tudo o que pode ser triste.

     

    A poesia é a massa do pão

    que sustenta o dia.

    E quem não se arrisca a vê-la

    Sem esperança caminha...

    Caminha para onde tudo se acaba,

    E com nada, em nada se avizinha...

     

    31.03.2015

    ELAINE BERTONE

     

     

     

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 21h51
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    DESDE SEMPRE ...

    DESDE SEMPRE ...


    Somos gerados em posição fetal,

    Nada mais, nada menos

    que uma breve espiral...

    tudo gira assim desde então,

    é o sentido universal

    da vida, 

    do menor ao maior,

    do singular ao plural,

    do  humano às galáxias...

    seguimos assim,

    numa viagem astral

    na onda energética absoluta, 

    na  linha espiral

    infinita...

     

    10.03.2015

    Elaine Bertone

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 10h31
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    COISAS DA GENTE

    COISAS DA GENTE 

     


    Tinta azul 
    sobre a folha,
    um borrão aqui outro lá, 
    envelope sem remetente... 
    coisas assim 
    muito da gente, 
    calça surrada, 
    sem dinheiro no bolso...
    e sob o braço, quieto,
    um cd novo, 
    um carinho
    e café quente, 
    coisas assim 
    muito da gente. 
    Fotos guardadas, 
    cartas antigas 
    e amigas, 
    almofadas no chão, 
    livros, folhagens, 
    poeticamente...
    coisas assim
    muito da gente.

    Elaine Bertone
    29.01.82



    Escrito por Elaine Bertone às 12h05
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    CONSIDERANDO...

    C O N S I D E R A N D O ...

     

     


    Não faltaram as palavras, 
    as lágrimas e os risos,
    não faltaram as propostas, 
    as respostas e os riscos, 
    não faltaram as saudades, 
    os amores imprevistos, 
    não faltaram as reservas, 
    os segredos (omitidos) 
    e olhares inibidos, 
    não faltaram os apoios, 
    os favores e incentivos, 
    não faltaram as surpresas, 
    os suspenses atingidos, 
    as ternuras, 
    e os desejos mais lascivos, 
    as decepções 
    e os desgostos corrosivos, 
    as crenças e os mitos, 
    as intuições
    e os gestos instintivos, 
    as explosões 
    e os rancores repressivos.
    Não faltaram as escolhas 
    entre o isto ou aquilo, 
    os projetos concretos e ativos, 
    os milagres 
    pouco a pouco concebidos, 
    os sonhos reprimidos, 
    as magias e os ilusionismos, 
    o aprender e o aprendido,
    não faltaram... 
    e por tudo ainda consideram nada 
    os esquecidos...

    Elaine Bertone
    março/82




    Escrito por Elaine Bertone às 11h57
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    NEGROS

    N E G R O S 

     

     

    Intensamente negros, 
    repletos de segredos 
    e mistério, 
    eu juro que os quero, 
    intensamente negros, 
    estes seus olhos sérios... 

    Na imensidão escura, 
    sugaram minha paz, 
    com uma luz tamanha, 
    profunda e estranha
    me cegaram, 
    ... um mar de desejos, 
    estes seus olhos negros... 

    Elaine Bertone 
    dezembro/1980



    Escrito por Elaine Bertone às 11h54
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    PRETENSÃO

    PRETENSÃO

     


    Seus olhos,
    um mesclado 
    de fogo e gelado, 
    suas mãos, 
    uma se oferece, 
    outra se esquece, 
    sua boca 
    ora santa, 
    ora louca, 
    sua mente,
    um segredo lantente, 
    seus desejos, 
    platônicos 
    e ardentes, 
    seus enganos, 
    raros e constantes, 
    seus pecados, 
    puros e lascivos, 
    seu coração,
    tão meu somente...

    Elaine Bertone
    21.09.80



    Escrito por Elaine Bertone às 11h48
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    QUALQUER COISA

                          QUALQUER       COISA 


     


    Qualquer coisa 
    é sinal de mau gosto, 
    falta de opção, 
    é um gesto vazio 
    no espaço... 
    não desperta 
    qualquer reação, 
    não fomenta 
    nenhuma emoção, 
    é o morno... 
    o vômito de Deus, 
    o tédio, o acaso, 
    ausência de desejo... 

    Qualquer coisa 
    é o desconexo, 
    o inofensivo 
    e inoperante, 
    é o ato 
    só pelo sexo, 
    é o gosto insípido 
    desse instante. 

    Elaine Bertone
    (1989)



    Escrito por Elaine Bertone às 11h29
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    O ATO DE ELEGER

    O ATO DE ELEGER

    Por  Elaine Bertone

     


    A vida é feita de escolhas. Elegemos os nossos amigos, nossos esportes favoritos, nosso repertório musical, o estilo de roupa, nossos valores, os candidatos políticos, os lugares que apreciamos estar ... Vamos, assim, alinhavando através dessas escolhas, a nossa própria imagem. Cada escolha que fazemos, representa um pedacinho de pano, que somado a outros vai resultar na colcha que somos. E se somos autênticos nessas escolhas, teremos pessoas muito semelhantes à nossa volta. Porque essa é a lei da atração – atraímos as pessoas que são nossos pares, que têm os mesmos ideais, convicções e interesses semelhantes. Dificilmente, escolhemos como amigo, uma pessoa que tenha valores tão diversos dos nossos. E mesmo que isso ocorra, no momento em que fazemos essa constatação, certamente algo novo acontece, ou seja, a magia se acaba e a distância se estabelece.
    Quando uma pessoa não é verdadeira consigo mesma e adota valores ou posturas por simples conveniência; num dado momento, ela vai esquecer o seu “script” e revelar a sua própria identidade: isso é infalível! 
    Você jamais se esquece de quem é ! As máscaras sociais, muitas vezes usadas como defesa, acabam caindo inevitavelmente... Já a nossa essência jamais desaparece. Ela tem a ver com a nossa alma, nossa energia mais pura, por isso é ímpar, singular. 
    Eleger é fundamental, mas para isso devemos nos conhecer intimamente. Só quem se conhece, faz as escolhas certas e foge do estigma de ser “maria vai com as outras”. O senso comum tem a sua importância, sim, mas nem sempre nos acomodamos nele.
    Saber posicionar-se é tomar partido e isso é um exercício diário – é o que molda a nossa personalidade. Eleger é tornar autêntica e legítima nossa vontade, nossa opinião e visão de mundo. É antes de tudo um direito e quem abre mão dele, corre o risco de perder a si mesmo. 

    06.11.2011




    Escrito por Elaine Bertone às 15h32
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    MANHÃS

     

    MANHÃS...

    por  Elaine Bertone  


    Eu gosto das manhãs,

    Assim como os boêmios das noites,

    É um amor natural ,

    Como o transpirar das maçãs

                  E a delicada textura  do mel...

     

    Eu gosto das manhãs,

    Com o aroma  do café no ar

    entre os feixes de luz do céu,

    É um amor natural,

    Como a brancura das brumas

    E a pureza do sal...


    Eu gosto das manhãs

    Sem afetação...

    Apenas o canto dos passarinhos

    alertas...

    É Um amor natural,

    Que pincela esperança no olhar

    E romãs,

     nas faces despertas...


    (27.09.2013)



    Escrito por Elaine Bertone às 15h08
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    PÃO, PEIXE E MILAGRE

     

    PÃO, PEIXE E MILAGRE

    POR ELAINE BERTONE

     

     

    A poesia
    quando não brota espontaneamente,
    irrompe com ímpeto indiscreto
    ou alastra-se sorrateiramente
    nos lamentos inquietos
    do poeta, do rebelde,
    ou descrente...
    cujo olhar insuspeito,
    revela o pesar, a alegria e o sentimento.
    A poesia cai com a noite e se levanta aos solavancos;
    faça sol ou faça chuva,
    a poesia germina,
    soluça, tropeça e caminha,
    é como fumaça
    ou erva-daninha,
    se descompassa,
    se desalinha,
    mas camufla-se sempre, 
    é sobrevivente dos caos
    e há quem a pense frágil.
    A poesia não se rende,
    não se esgota,
    multiplica-se nas palavras, pensamentos
    e emoções,
    é o linfo da eternidade,
    e quando é  fome,
    também é pão, peixe,
    e milagre!
     
    27.02.2013

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 01h12
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    SER ALADO

    SER  ALADO 

     

    Quando o sentido 
    se faz aguçado, 
    o coração é um ser alado 
    e voa...
    com a intuição
    e assim, tão à toa... 
    decifra todo mistério e toda emoção... 

    (elaine bertone)



    Escrito por Elaine Bertone às 21h04
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    SER POETA

    SER  POETA 

     

    “Ser poeta não se limita à sensibilidade de escrever,

    mas também de se encantar e reconhecer a arte aonde quer que ela se encontre...inclusive nos textos de outros.”


    (Elaine Bertone)




    Escrito por Elaine Bertone às 20h56
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    A M I Z A D E

                 A  M  I  Z  A  D  E

     

    AMIZADE

     

     

    Por  Elaine Bertone

     

    Quando num abraço

    a  transparência

    de um laço,

    nos declara

    que é bem rara

    a sensação

    de encanto,

    reencontro

    e emoção,

    temos algo

    que a nada se compara,

    temos algo

    com um alvo atingido,

    temos sorte, temos planos,

    temos um amigo,

    o princípio e a razão,

    a fé e um coração querido,

    temos enfim, a certeza viva,

    do que temos sido... 

     

    26.01.82

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h17
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    INTERVALOS POSSÍVEIS

    INTERVALOS  POSSÍVEIS 

     

     

    Por   Elaine Bertone 

     

    Anseio falar com você;

    a internet é a melhor opção;

    contato em tempo real

    subtraindo a minha emoção;

    frases telegráficas,

    atenções divididas,

    assuntos  banais...

    A conexão não ajuda,

    não há porque insistir

    neste encontro roubado,

    às pressas, às escondidas

    nos intervalos possíveis

    do labirinto da vida...

    Eu mereço mais !

     

    19.02.06 



    Escrito por Elaine Bertone às 09h08
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    BEM-ME-QUER

      BEM-ME-QUER

     


     

       Por  Elaine Bertone 

     

     É      só       bem   isso

     

     isso   bem          é

     

     só       é       isso    bem

     

     bem    isso   é       


     25/03/80 

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h42
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    L A M E N T A Ç Ã O

     

       LAMENTAÇÃO 

             Por  Elaine  Bertone 

     

    É uma afta 
    sem dúvida, 
    beijo ácido
    na gengiva,
    soda cáustica 
    na saliva, 
    quantos ais 
    e abacaxis...



    Escrito por Elaine Bertone às 16h12
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    ESTRELA CADENTE

     

    ESTRELA CADENTE 

    Por Elaine Bertone

     

    Esse amor

    não é sol, nem estrela,  

    não tem norte,

    nem sul, nem certeza...

    é o risco no céu,

    é surpresa,

    um brilho tal

    que me cega

      

    Imagem que nasce

    tão linda...

    segundos de cores

    tão frias,

    um verso que canta na noite,

    um sonho que afaga meus dias

     

     Vem como um acorde que toca,

    assim como um flash na mente,

    ...um sussuro que me provoca,

    é o brilho da estrela cadente

     



    Escrito por Elaine Bertone às 20h00
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    C O N F O R T O

    M E U   C O N F O R T O 

     

     

    Por  Elaine  Bertone


    De onde estou

    ouço sua voz

    sem poder vê-la...

    A parede de concreto

    não impede sua presença.

    Nada tenho com o corpo,

    com a forma ou a luz...

    é somente a voz

    que traduz sua existência,

    é somente a voz

    que conforta e seduz

    pelo som, pela essência

    pela vida que ecoa

    e imprime sua marca.

    É você naquela voz

    sem impressão digital;

    é a certeza,

    o princípio,

    o elo espiritual,

    a inocência...

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h19
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    ALGO ERÓTICO


    ALGO   ERÓTICO

     

    Por Elaine Bertone

     

    Não quero as luzes

    de um olhar apaixonado,

    nem um verso cantado,

    em tom de lirismo...

    Não quero o sussuro no ouvido

    ou o som de qualquer melodia,

    não quero o vento das praias noturnas,

    nem a lua,

    pra me fazer companhia

     

    Não quero o sabor do beijo,

    nem da bebida mais fina

    não quero o torpor

    de topar com a sua retina,

    não quero o show furta-cor

    da tarde

    nem a chuva fria que arde

     

    Quero somente os seus pés singelos

    (que parecem esculpidos,

    em mármore marfim),

    para roçar os dedinhos,

    (tão humildes e belos),

    silenciosamente esquecidos

    ao longo da cama...

    tão longe de mim...

     



    Escrito por Elaine Bertone às 20h10
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    COMPLEXIDADE

    C O M P L E X I D A D E 

     

    Por Elaine Bertone

     

    Há dias que sou o drama,

    o problema em questão,

    há dias que sou o romance,

    o amor e o coração...

    há dias que sou a comédia

    sou a rédea do sorriso,

    a piada e o palhaço trapalhão

    há dias que sou a tragédia,

    a catástrofe e o pesar,

    há dias que sou criança

    há dias que sou adulta,

    um certo passo de dança...

    e a poeta que se oculta

    sob o brilho de um olhar... 

     



    Escrito por Elaine Bertone às 16h26
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    B L E C A U T E

    B L E C A U T E 

     

    Por   Elaine  Bertone

     

    Dentro de mim,

    uma luz se apagou,

    não sei ao certo onde,

    mas tem o cheiro da morte, 

    de um curto-circuito em  meu peito,

    como um sinistro corte,

    na minha  chama interior.

     

    Quedou-se

    minha  fonte de  alegria e calor

    e uma tristeza oportuna

    se apossou de mim...

    Uma luz se apagou...

    como um blecaute permanente,

    ou a degradação de uma célula.

    Perdi, assim,  meu lado inocente,

    pois a  chegada do breu

    em mim,

    trouxe a consciência do medo,

    e a realidade do fim.

      



    Escrito por Elaine Bertone às 22h15
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    FOICE

    F O I C E

    Por Elaine Bertone

     

    Foi-se

    sem  notícia,

    como açoite

    de estranheza,

    como a noite

    sem estrela

     

    Foi-se

    pelas sombras,

    secretando a fuga,

    silhueta negra

    em corredor de rua

     

    Foi-se

    cortando espaços,

    como foice

    pelos matos,

    como nesga absoluta,

    ou sombra desfeita 

    em fresta diminuta,

    num susto torpe.

     

    Foi-se

    alquebrado

    e suando frio,

    como vento

    sem roçar o rio

    e foi-se ...

     



    Escrito por Elaine Bertone às 21h45
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    E S P E R A N Ç A

    E S P E R A N Ç A   

    O SOL LUZENTE

    SE APAGA SOB OS OMBROS DA MONTANHA

    PISCA-PISCA VAGA-LUME

     

    (Elaine Bertone)

     

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h05
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    DIAS DE CHUVA TAMBÉM SÃO DIAS DE ARCO-ÍRIS

    DIAS DE CHUVA  TAMBÉM SÃO DIAS DE ARCO-ÍRIS



    Escrito por Elaine Bertone às 16h20
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    SER PERFEITA? NEM PENSAR!

     

    SER PERFEITA? NEM PENSAR!

    Por Elaine Bertone

    Apesar das diferenças individuais, eu não sou diferente de ninguém. Sou apenas um ser humano, com qualidades e deficiências.  Quem se julga perfeito, que atire a primeira pedra! 

    Como todo mundo,  tenho a minha luz própria, mas há recônditos escuros dentro de mim – alguns, nem eu mesma conheço.

    Aprendi, entretanto, a fazer as pazes com a minha sombra com a mesma naturalidade com que  acolho  a minha luminosidade.  Sou sujeita a erros e acertos, mas o que de fato importa é o meu desejo de superação. 

    Não abro mão da minha humildade – todos os dias eu tenho algo a aprender.  Ser perfeita? Nem pensar! 

    Aprendi que para ser autêntica é preciso honestidade. E para vencer as próprias fraquezas, há que se exercitar a autocompaixão.   Admitir e compreender as próprias falhas é o primeiro passo para transcendê-las, por isso se eu negar as minhas sombras, estarei idealizando uma “persona”, que de fato é somente a representação do ego.

    À medida que eu reconheço as minhas faltas, estarei mais próximo de me ver como de fato sou  e  só a partir daí  é que poderei me  melhorar como indivíduo, ou seja, só posso me lapidar, à medida que reconheço as minhas arestas.

    Percebo, portanto, que  a condição humana abraça tanto a existência da luz como a da sombra  e a convivência das duas resulta  no processo individual de crescimento – doa a quem doer!

     



    Escrito por Elaine Bertone às 10h00
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    AZUL BÚRICA

    AZUL BÚRICA

     

    Por Elaine Bertone

      

    O meu fascínio pelas búricas tem início na infância. Sempre gostei de brincar com as búricas do meu irmão. Entretanto, não falo do jogo que envolve as bolinhas de gude, propriamente dito, mas de como eu me divertia ao ficar  manuseando aquelas pequenas bolas de vidro.

    De fato, eu ficava horas em completa absorção com as búricas na mão. Segundo a  minha fantasia, aquelas bolinhas não eram senão pequenos planetas em miniatura.

    As búricas azuis com manchas brancas eram as minhas prediletas, já que representavam a Terra com a atmosfera cheia de nuvens.  

    Havia, porém, bolinhas de todas as cores e tamanhos, mas eram os  desenhos  que se formavam no vidro, que atraíam a  minha curiosidade e admiração.  Algumas búricas  se assemelhavam a Marte,  outras a Mercúrio, Vênus, Júpiter, Netuno e Plutão,  mas também havia as que eram totalmente brancas como a Lua e eram chamadas pelos meninos de “dentes de leite”.

    O dia de hoje me remeteu a essas tão doces lembranças, graças ao límpido céu de outono que ostenta o mesmo azul que eu via nas minhas búricas prediletas. Caminhando pela praia e conversando com o mar, eu não pude ficar indiferente a este azul do céu que é único e que se descortina sob o sol de abril.  

    Tomo a liberdade de batizar este azul. Chamo-o de azul búrica, sem me importar com a estranha classificação. Afinal, que argumento pode ser mais forte que a veracidade das memórias?

    13/04/2011.



    Escrito por Elaine Bertone às 01h34
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    INCÓGNITA

     

    INCÓGNITA

     

    Tentei compreender você

    em suas duas faces,

    em suas mil cores,

    em seus pensamentos,

    em seus confusos amores,

    em seu porquê,

    perdido onde...

    em seus sonhos,

    que por certo alguém esconde,

    em seu riso incógnito,

    em sua sombra desforme ,

    em seu olhar mais íntimo,

    em sua ira enorme,

    em suas vestes,

    em em seus assuntos,

    que eu sei, são muitos,

    em seu desânimo,

    em sua meiguice;

    tudo porém, achei estranho

    e  nada disse,

    nem concluí.

    Tentei compreender você,

    que idiotice,

    não consegui...

     

    07.04.81

    Elaine Bertone

     



    Escrito por Elaine Bertone às 19h17
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    VOCÊ É DO BEM?

     

    Por   Elaine Bertone

    Calçamos tênis cada vez mais macios para pisotearmos o planeta.  Para nós, calçados com amortecedores e designer  cada vez  mais arrojados para termos a  sensação de quase flutuar a cada passo.  Para o planeta, a degradação contínua e insensível das nossas ações.

    Gostamos de ostentar uma superioridade contemporânea na aparência para escondermos a essência primitiva, selvagem e virulenta que há em nós.  Até quando  eu pergunto, até quando vamos continuar a vilipendiar a casa em que moramos? Até quando vamos agir como se não pertencêssemos a esse lugar? 

    Caminho pela orla da praia quase todos os dia e me deparo com  inúmeras garrafas pet pelo caminho, além de tampinhas plásticas de refrigerante  ou saquinhos de supermercado voando a esmo e penso  --  de forma alguma deveriam estar  ali. 

    Reconheço que existem campanhas e pessoas que se dedicam ao trabalho de reciclagem do lixo e que contribuem , na medida do possível,  para amenizar os danos causados pela fabricação desses materiais  que,  na minha humilde opinião, deveriam ser proibidos definitivamente pelo  mal que causam à natureza.  Mas, é notório que  a grande  maioria não tem a menor consideração com o que foge ao seu próprio umbigo.

    Que raça é essa que só  enxerga o os próprios  interesses , incapaz de  sensibilizar-se com as outras espécies de vida? Por  que agimos como se apenas  a nossa raça  tivesse valor?   Provamos a cada dia que usamos a nossa inteligência  tão egoisticamente, que  ela vai se voltar inevitavelmente contra nós.   

    Começamos a errar desde que adotamos como valores essenciais   a “tradição, família e propriedade”, limitando  assim, o bem comum a um pequeno núcleo  ao qual defendemos com unhas e dentes  em prejuízo ao resto do mundo.   E com essa mentalidade mesquinha vamos galgando escalas  faraônicas de destruição à Terra.  

    O rios e mares são verdadeiros depósitos de lixo, as florestas estão cada vez mais devastadas,  o ar poluído, os animais – vítimas da nossa truculência!  Mas, queremos o máximo conforto para os nossos pés,  ar refrigerado no calor, que é mais intenso a cada ano ( em consequência  do aquecimento global), água pura e cristalina para ingerirmos,  perfumes com os melhores fixadores à custa dos intestinos  de baleia e por aí afora...  Eu simplesmente não encontro justificativa para tanta crueldade contra  os animais que são sacrificados  de todas as maneiras,  apesar dos inúmeros  benefícios  que   trazem ao homem.

    Se cada um  adotasse medidas simples de amor à vida, como não jogar óleo de fritura no ralo da pia (por ser  um dos maiores poluentes  da água), por exemplo,  já estaríamos dando um  passo consciente em favor da natureza.   Cada passo somado a outro poderia modificar a saúde do planeta, mas precisamos nos comprometer de fato com isso,  aumentando a nossa participação pessoal  nessa luta.

    Cabe aqui a pergunta  --  será que  estamos fazendo jus a  imagem  e semelhança de Deus? Ou  já nos associamos aos anjos rebeldes,  do time adversário?  Sim, porque desde que  o primeiro homem  mordeu  a maçã proibida, pelo  mero prazer  de experimentá-la,  fazemos a mesma coisa  dia após dia,   sem  nos  questionar  sobre  as consequências desse abocanhamento cada vez mais voraz...

    Você é realmente do bem?  



    Escrito por Elaine Bertone às 16h12
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    N O V A M E N T E !

    Por Elaine Bertone

    Digamos

    que  descobri no acaso,

    como quando

    se ouve o mar

    numa concha,

    quando se joga o dado

    e se assombra

    com o número certo

     

     

    Digamos

    que senti nos olhos

    a dança erótica

    dos corpos

    e as mãos buscarem tocar

    os mais diferentes traços

     

    Digamos

    que fiquei atônita

    com a boca muda

    me negando o fato

    como história absurda,

    eu... novamente apaixonada!

     

    12.12.82

     



    Escrito por Elaine Bertone às 23h12
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    O P O S T O S

     (praia do Estaleiro -  Sta. Catarina)

     

    Por Elaine Bertone

    OPOSTOS  (1)

    (terra x água)

     

    Serei sempre terra

    assim como você o mar,

    no entanto,

    embriagada serei sempre

    pelos mistérios das ondas

    prateadas ao luar.

    Qual península me estendo,

    debalde lhe enlaçar,

    mas de repente, me lembro,

    serei sempre terra,

    assim como você o mar !

     

    12.11.84

     

     

     

    OPOSTOS  (2)

    (água x ar)

     

    Serei sempre água

    assim como você o ar

    no entanto

    embriagada serei sempre

    pelo eterno firmamento

    registrando outro mundo

    a conquistar.

    Em tempestades

    me revolvo

    só pra lhe alcançar,

    mas de repente me lembro,

    ...serei sempre água

    assim como você o ar!

     

    01.12.84

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 11h44
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    REENCONTRO!

    Por Elaine Bertone

    Certa vez alguém me disse, que todo encontro fulminante, não é um mero encontro, mas um reencontro! Eu acredito.  É assim que me sinto cada vez que vejo o mar...                               

    Meu signo é o  caranguejo,  designação comum às espécies de crustáceos.   O caranguejo  terrestre ou aquático, marinho ou de água doce, vive, na maioria, na toca em que  ele  mesmo escava.   Sendo  assim, eu posso dizer que estou muito feliz com a toca que eu cavei pra mim.  Na verdade,  como é que alguém se sente quando realiza um sonho? Feliz, simplesmente assim?  E, quem  disse que a felicidade é simples...?    Deixe- me fazer  entender, quando fazemos um passeio maravilhoso, quando saboreamos uma deliciosa comida ou degustamos um ótimo vinho, experimentamos o que chamamos de satisfação, prazer  ou  momentos felizes... Mas, quando temos essa sensação e ela não se acaba ?  Fechamos os olhos e ao acordarmos ainda nos pegamos felizes,  isso é incomum,  não é mesmo? Percebo que a magia se renovou , não é simplesmente mais  um dia como outro qualquer, estou vivendo um sonho ou  realizando algo que me mantém conectata com a felicidade...  Sim, estou me dando conta que  encontrei  um atalho  que me possibilitou  fugir do  trivial ou do lugar comum.   Normalmente eu sou uma pessoa feliz, grata por tudo o que tenho ou que faz parte do meu universo particular, mas devo admitir que estou  num momento de graça!  Não sei  se essa  sensação  vai me deixar  algum dia ou em  segundos,  só sei que  estou plena por estar aqui!  Da  sacada da minha nova toca,  eu vejo  o mar  e  lá embaixo, ele me sussura  continuadamente:   que bom te ver! que bom te ver...



    Escrito por Elaine Bertone às 17h09
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    VENTO SUL

     

    Por  Elaine  Bertone ***

    VENTO  SUL

      

    Por que tarda a me encontrar;

    por que tateia na escuridão

    de  um caminho árido;

    as pessoas ao seu redor

    não compreendem seu gesto,

    nem o tamanho do seu coração cálido...

     

    Sou varrida pelo vento sul

    como uma folha de outono...

    e nesta tela azul,  que sou eu,

    só habita o sonho...

    Minha esperança desbotada pelo tempo,

    parece longe de alcançar seu destino

    e como chama tremulante

    insisto em ficar viva...

    até que me aches pelo caminho

    e  traga, por fim, a sorte

    de me dar sentido...

    ** As Poesias aqui blogadas estão devidamente registradas e com os direitos preservados



    Escrito por Elaine Bertone às 09h20
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    CONSPIRAÇÃO

    Por Elaine Bertone

    Conspiração

     

    É uma escultura 

    esta poesia,  

    que eu retoco

    a cada leitura,

    que eu amoldo

    a cada palavra

     

    meu barro,

    minha argila,

    matéria prima diversa,

    achada nas ruas,

    nos lares,

    gestos e rostos,

    latas de lixo e  olhares...

     

    Rendas e missangas,

    doces emoções reprimidas,

    brincam  em ciranda,

    nos rascunhos da vida,

    nas lacunas permitidas,

    na conspiração das palavras...

     

     

    Escrita em   02/02/2006

     



    Escrito por Elaine Bertone às 14h57
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    P A I S A G E M

     

     

    Por  Elaine Bertone

     

    PAISAGEM

     

     

    No espaço

    de uma vida

    quantos sonhos...

    experiências sólidas

    e ausentes,

    pessoas vem e vão

    despercebidas

    e tudo são detalhes

    na paisagem...

    Esta se transforma

    a cada instante,

    marcada pela ação

    de cada agente,

    ora é colorida,

    mas de repente

    é pálida, instável

    e carente...

     

     

    Escrita  em  05.06.85 



    Escrito por Elaine Bertone às 18h03
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    I N S P I R A Ç Ã O ...

    (tela de Beatriz Milhazes)

    Por Elaine Bertone

     

    Que força  é  essa que vem  de repente...

    Se instala  sorrateiramente e  faz  toda a diferença.

    Capaz de transformar um trabalho comum,  numa obra de arte

    e emocionar aos que olham, ouvem ou  experimentam ...

    A inspiração em seu estado bruto é algo tão sutil e etéreo

    que embala  a alma  --  nossa matéria prima.

    Então,  como não reconhecer algo assim?

    Tocados pela inspiração do  outro,  podemos perceber a magia  contida num quadro, numa música,  escultura  ou até mesmo  num prato de sopa...

    Percebemos  a singular  propriedade da inspiração, quando de fato ela existe...

    Somos  feitos da mesma matéria, pela inspiração divina...

    Então , não há porque duvidar  dessa  qualidade inata.

    O truque é deixar fluir o que há de melhor  em cada um de nós ...

    Quando menos  se espera a  inspiração se revela ...

    Podemos  pensar  que é uma  habilidade construída,  

    mas posso afirmar que a inspiração, não é puramente técnica  

    e sim  um potencial adormecido, que desperta...

    E esse momento é simplesmente aquele em que nos permitimos

    aceitar  a verdade :

     a de que Somos  o que Queremos  Ser...



    Escrito por Elaine Bertone às 18h20
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    L U A C H E I A

    Por  Elaine  Bertone

    LUA  CHEIA

     

     

       está  ela,

    maravilhosamente

    bela,

    exibicionista fatal.

    Eu sei,

    mutante em seu auge.

    Eu sou

    mais uma a motivar

    essa lunática !

     

    ** Poesia escrita em  18.01.84

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 12h47
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    CORPO DE DOR

    POR  ECKHART TOLLE

    Desejamos paz, todos querem, porém há algo em nós que pede o conflito, o enfrentamento. Se  somos provocados de alguma forma começamos a perceber o imenso impulso de força que nos atravessa. O medo que se mascara em raiva ou hostilidade e algo em nós se vê ameaçado e quer  sobreviver a qual-

    quer  custo.

    No início de muitos relacionamentos chamados  românticos,  a interpretação de papéis é bastante  comum no sentido de atrair e manter a pessoa que é percebida pelo ego como aquela que fará o indivíduo feliz. Eu interpreto quem  você quer que eu seja, enquanto  você  representa  o que eu quero que  seja. No entanto essa interpretação é muito difícil e não se mantém por muito tempo  sobretudo  quando vão viver juntos. Sempre que assumimos papéis estamos inconscientes. No instante que reconhecemos isso cria um espaço entre nós e o papel, é o começo da libertação.

    Em muitos casos a felicidade é um papel que as pessoas representam. Um exterior sorridente pode encobrir sofrimento, depressão, esgotamento  pois  há um acobertamento da infelicidade,  portanto  há negação,  muitas vezes até mesmo para si próprio. A causa primária da infelicidade  nunca é a situação, mas nossos pensamentos sobre ela.  Portanto tome consciência dos pensamentos, separe-os da situação, que é sempre  neutra. O que você pensa é o que cria suas emoções. Os pensamentos, as emoções e as reações são reconhecidos e, no momento em que são detectados, o fim da identificação se dá de forma automática.

    Na maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser  involuntários, automáticos e  repetitivos; são uma estática mental. Eu penso é uma afirmação tão falsa como eu faço a digestão.  A digestão, a circulação e o pensamento  acontecem.   A voz na nossa cabeça tem vida  própria.   As pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente que é condicionada pelo passado, então somos condicionados a reinterpretá-lo sem parar.

    O corpo de dor coletivo provavelmente é codificado dentro do DNA. Todo recém-nascido traz um corpo de dor emocional. Em alguns é mais pesado e mais denso que em outros.  Quem tem um corpo de dor pesado costuma ter mais chance de despertar espiritualmente  do que os que têm um corpo de dor leve.

    O corpo de dor é uma forma de energia semi-autônoma e é viciado em infelicidade.

    Nosso projeto  reencarnatório  nada mais é do que o filme que queremos viver com o elenco contratado por  nós para  contracenar  as  experiências que  achamos  necessárias  ao  nosso crescimento.
    Mas quando aqui estamos, somos envolvidos pelo sistema de crença vigente que nos afasta de nossa essência, empurrando-nos para a convivência com nosso Ego. Aprendemos pela educação que devemos nos reconhecer pela nossa história e pela nossa personalidade  condicionada  por este  passado. Passamos então a revivê-la como forma de identificação do nosso Eu.
     Se elas fossem apenas experiências, não seria de todo mal, mas são carregadas de ressentimento, arrependimento, remorso, hostilidade, culpa etc. Isso o autor do  Poder do Agora  chama de  “corpo de dor” e pelo filósofo indiano Osho de “estorvo”. É o arquétipo negativo.
    Um arquétipo construído ao longo de histórias de sofrimento agrega tanta dor que acaba tendo existência própria. Ele se alimenta de tudo o que lhe assemelha e atrai acontecimentos para que você o veja e continue a alimentá-lo.  É como um ser primitivo e emocional com características de sabotador e vítima. Vibra nessa sintonia e caminha nessa direção.  Se você estiver sozinho(a), sentirá um desejo de relembrar episódios tristes ou difíceis de assimilar. Se estiver acompanhado, ele levará você ao conflito, provocando mais sofrimento e assim se alimentando.
    Esses arquétipos negativos ou “corpo de dor” segundo Tolle,  necessitam sempre provocar  para  se sentirem vítimas. Não querem solução, pois se sentem vivos pensando no “problema”.  Aonde forem angariam inimigos ou desafetos, e em graus mais intensos partem até para embates judiciais somente pelo prazer de se manterem na sintonia da discórdia.
    Há uma aliança perversa entre o EGO e o corpo de dor. Um alimenta o outro.
    Mas como podemos nos libertar dessa cilada? Simples, basta parar de se identificar com esse corpo. Se paramos de regar uma planta ela não cresce. Precisamos encarar as emoções que nos paralisaram no sofrimento e com essa consciência começamos a mudar. É retirar essa emoção ruim de onde está e trazê-la à tona. Dói, é óbvio, mas não mais que uma vez só.
    O tempo e a energia que se gasta  mantendo  essas emoções negativas escondidas ou dissimuladas é que as mantém vivas e  ávidas  por mais sofrimento.
    Já repararam nas pessoas que você sugere alguma solução e elas dizem de imediato que não vão conseguir? Frases como “é muito difícil, não tenho forças, é muito fácil falar quando se está de fora, não consigo esquecer, não posso perdoar, a culpa é dele(a)”, são comuns na expressão do corpo de dor ou arquétipo negativo.
     

    De quanto tempo necessitamos para nos libertarmos desse corpo de dor? A resposta é:  nenhum. Sempre que o corpo de dor estiver em atividade, temos que estar cientes de que o que estamos sentindo é o corpo de dor. Portanto quando sentir o corpo de dor não cometa o equívoco de achar que há algo errado em você.  O ego adora quando você faz de si mesmo um problema. O conhecimento precisa ser seguido pela aceitação. Que significa que você se permite sentir qualquer   coisa  naquele momento.  A decisão de converter o momento presente em nosso amigo é o fim do ego. Para o ego é impossível estar alinhado com o momento presente,  pois ele trata o presente como: um meio para alcançar um fim, um obstáculo ou um inimigo.

    Uma técnica espiritual eficaz é permitir conscientemente a diminuição do ego quando ela acontecer e não tomar nenhuma iniciativa para restaurá-lo. Quando alguém lhe dirigir críticas, censuras ou  xingamentos, não faça nada. Deixe que sua  autoimagem  permaneça  diminuída e fique atento ao que isso desperta no seu interior. Por alguns segundos pode parecer desagradável, como se seu corpo tivesse encolhido. Depois talvez você sinta uma viva sensação de amplitude interior.  Você não foi diminuído nem um pouco.  Na verdade, se expandiu.  Quando  deixa de se defender ou de tentar fortalecer a forma de seu eu,  você   se afasta da identificação com a forma, com sua autoimagem mental.  Por admitir ser menos (percepção do ego), na verdade você expande e cria espaço para o Ser entrar. Esse foi o sentido das palavras de Jesus: “Negue a si mesmo”; “Ofereça a outra face”.

     

    UM MUNDO NOVO, O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA



    Escrito por Elaine Bertone às 11h12
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    A Abrangência da Responsabilidade Social nas Organizações

     

    Por Ana Mari Coelho

    Hoje, com a globalização, a Responsabilidade Social tornou-se um dos fatores primordiais para a competitividade das empresas no mercado.

    Tendo em  vista o que vem acontecendo com o nosso planeta  atualmente, acho difícil e até um pouco incoerente falar de Responsabilidade Social, sem mencionar o Desenvolvimento Sustentável.

    Visto que nesse vasto universo, ainda  incompreendido pelo homem, onde o nosso planeta está inserido e sobrevive, tudo está interligado, nada vive de forma solta; sozinho, ao ponto de uma ação não afetar apenas o que está a sua volta.  Temos que ter consciência  que somos interdependentes.

    Por conseguinte podemos dizer, que uma organização, que age com  Responsabilidade Social,  deve  agregar valores como  ética e transparência nas suas atitudes.  E desta forma,  oferecer  aos seus colaboradores,  muito mais do que  as leis trabalhistas determinam.

    É de fundamental importância que a organização propicie  um local adequado de trabalho, para que seus colaboradores  possam ter prazer em desenvolver suas funções. Aí, sim, eles  estarão sendo reconhecidos, valorizados e dignificados como ser humano.  É ideal que os mesmos sejam  inseridos em  campanhas educativas, que esclareçam a importância da reciclagem e expliquem como ter uma melhor qualidade de vida;  além dos cursos voltados a sua profissão, etc.

    À  medida que os funcionários passam a seguir os passos da organização, tornam-se agentes transformadores  ao levar  todo o aprendizado que receberam  para dentro de suas casas e  para sua  comunidade.  Isso pode se dar   por meio de projetos e ações, palestras educativas e  formas de melhorar a qualidade de vida,  que vai desde uma reeducação alimentar até o cuidado com o nosso planeta.

    É preciso que o objetivo da  organização seja  totalmente coerente com o que está sendo  ensinado  e inserido na cultura da região ao qual está localizada.  Ela terá que  ter plena consciência, que não poderá prestar serviços,  fabricar produtos que venham a agredir, nem a degradar o meio ambiente ou mesmo comercializar  produtos que venham a afetar a saúde de seus consumidores.

    Com o propósito de chamar a atenção de vocês para a Responsabilidade Social das organizações,  destaco as  indústrias de refrigerante , que tem no seu produto um componente chamado benzeno, que é uma substância potencialmente cancerígena. E como se isso não bastasse, esse produto chega ao consumidor em embalagens de alumínio, que são comercializadas e usadas por milhares de brasileiros. Embora eu saiba que muitas dessas empresas, praticam a “Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável”,  é necessário denunciar aqui o descaso à vida, pois o alumínio se deposita no cérebro, causando o mal de Alzheimer, além de  expulsar o cálcio dos ossos, provocando também a osteoporose, entre outros males.

    Responsabilidade Social a que preço?  Com que ética? Com que transparência?  Estimulando um consumo desenfreado e inserindo na cultura de massa que você vale o quanto  tem?  Fazendo o nosso planeta se transformar num deposito de lixo? Sim, porque vivemos no mundo do descartável, embora a vida humana não deve ser vista como tal.  O indivíduo não pode  ser  valorizado dentro de uma organização e estar consumindo um produto que no decorrer dos anos a industria farmacêutica agradecerá.

    Percebam, abram seus olhos e vejam o quanto ainda temos que galgar para alcançar essa consciência,  obter a importância da necessidade de mudança, para que possamos vislumbrar novas estruturas empresariais. No ritmo que vai, não haverá tempo suficiente para uma recuperação plena. 

    É  de extrema importância que essas organizações, principalmente aquelas que detém o poder e governam o mundo, repensem seus valores; seus princípios; sua moral e pratiquem a justiça; a ética; a coerência e a transparência nas suas ações.  Que passem a valorizar o todo,  não apenas as partes, ou seja, apenas aquilo que é do seu interesse ou que está sob seu domínio. Por isso é extremamente relevante o entendimento do conceito de interdependência.

    Quero acreditar, sim , que um dia essa mudança possa acontecer, mas na realidade e no contexto que estamos inseridos atualmente, só mesmo um milagre, ou então se   a humanidade conseguir dar um grande salto quântico! O que também não deixaria de ser um milagre.

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 11h24
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    Por Fernando Pessoa

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
    O Tejo tem grandes navios
    E navega nele ainda,
    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha
    E o Tejo entra no mar em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E para onde ele vai
    E donde ele vem.
    E por isso porque pertence a menos gente,
    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
    Para além do Tejo há a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.
    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 00h46
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    SÍNDROME DO PÂNICO E A CASA 12

    Por  Josilene Sousa

    "Esse negócio de síndrome de pânico é pura frescura!" Ouvi essa frase em meados dos anos 80; hoje, a cada dez pessoas, oito ou têm ou conhecem alguém que tenha a síndrome - esse medo interior que remete o portador ao total isolamento emocional, sentimental e de si mesmo.

    A Síndrome de Pânico é a distância do seu eu interior, do self. O Sol na casa 12, do inconsciente, ou seja, na casa do desconhecido ou da "escuridão" da personalidade, ao mesmo tempo que dá ferramentas para "iluminá-la", faz com que o indivíduo se sinta como um balão de gás solto no céu, ao léu. Trabalhar com a casa 12 não é das tarefas mais fáceis.

    A pessoa que desenvolve a síndrome se sente impotente, instável e busca a fuga do seu exterior para dentro de si mesma, onde se sente com medo e ao mesmo tempo mais segura.

    Tanto que um sintoma bastante comum é o sono, e o que é o sono senão o encontro com o inconsciente?

    O indivíduo perde o contato com o seu eu de tal forma que rejeita o contato com qualquer pessoa ou qualquer ambiente. Quanto mais só, mais protegido de si mesma, das decisões. Não fazendo contato, ele se protege das decepções.

    Minha intenção não é de nenhuma forma encerrar o assunto. Pelo contrário, ao expô-lo me motivo para continuar a estudá-lo e incentivo a publicar seus estudos aqueles que já tenham constatado que a Astrologia pode ajudar efetivamente os indivíduos que desenvolvam tal síndrome.

    Embora existam muitos remédios alopáticos, homeopáticos, alternativos, e não dispensando a ajuda de um especialista, a Astrologia é, mediante o estudo atento dos planetas na casa 12, uma grande aliada nestes tratamentos.

     

    Cada planeta com seu pânico

    Após um bom número de atendimentos de indivíduos com a síndrome percebi algumas "coincidências" que exponho a seguir:

     

    SOL - sua síndrome é cíclica, as crises surgem logo após algum fato desagradável, seja ele qual for. Até mesmo o aumento de peso pode desencadeá-la, tanto quanto uma decepção de maior porte. O indivíduo age de forma consciente, sabe da síndrome, procura compreendê-la e busca sozinho algum tipo de tratamento. Não se entrega e luta ferozmente para vencê-la. Reage bem quando se envolve com leituras e exercícios de auto-ajuda. Atividades que desenvolvam o self dão excelentes resultados.

    LUA - demora a perceber a síndrome, começa e pára tratamentos. Quando está em crise não fala dela e foge das pessoas que possam ajudá-la; isola-se e mascara os sintomas, o que dificulta que as pessoas percebam e ajudem "delicadamente". Normalmente desenvolve a síndrome no dia-a-dia das relações, vai jogando muita coisa embaixo do "tapete" e o tapete se vira contra ela. Atividades que envolvam água e crianças, que ela vai negar no início, dão bons resultados. Tratamentos de choque tocando na ferida apresentam resultados contrários.

    MERCÚRIO - sua síndrome se manifesta com pensamentos mórbidos e destrutivos. Cria uma certa obsessão por algum assunto que vai incomodando até acioná-la. Não encara a síndrome de pronto e não percebe com facilidade sua obsessão. Normalmente se apega a algum tipo de ritual que pode até mesmo ser religioso, embora o pratique sem convicção ou crença real. Pode "ver" coisas. Seus sonhos são muito agitados, tem pressentimentos sempre negativos e se assusta com facilidade. Tratar essa pessoa não é fácil, porque se torna muito irônica e até mesmo cínica. Tem dores de cabeça e uma depressão leve dias antes da crise.

    VÊNUS - sua crise se manifesta relaxando consigo mesma, é a síndrome fisicamente visível, pois perde completamente a vaidade. A rotina e a sensação de que nada irá mudar é o que incentiva o surgimento da síndrome. Surge uma tendência à autoflagelação. O paciente desenvolve alergias de difícil diagnóstico e chega a se machucar, às vezes no gesto de se coçar, às vezes no próprio remédio para curá-la. Reage bem a atividades artísticas abstratas e jardinagem, mas precisa se sentir útil, principalmente para outras pessoas.

    MARTE - tende a provocar acidentes graves, arrisca-se em alta velocidade ou em qualquer atividade que envolva a adrenalina, só que sem os cuidados necessários. Sua agressividade fica muito latente, sendo que a utiliza voltada contra si mesmo. Não dá para diagnosticar com convicção como a síndrome se inicia, mas em alguns casos o paciente sofreu algum tipo de violência física dentro de casa. Sua forma de encarar a síndrome dificulta muito o tratamento: age como se estivesse com vontade de se tratar, mas não leva os tratamentos a sério.

    JÚPITER - por incrível que pareça, Deus tem "culpa" nesta síndrome. Sente que "Deus" a deixou na mão. Trava uma guerra relacionada a sua fé, e o sinal é uma mudança radical entre a religiosidade e o ceticismo. A síndrome se manifesta, normalmente, após alguma experiência desagradável entre o que pediu a Deus e o que Ele lhe deu. Torna-se uma companhia pessimista e desaforada. No tratamento, testa os seus limites o tempo todo. É preciso buscar pela sua fé interior sem que se toque na religiosidade.

    SATURNO - cansaço físico e emocional. Esta síndrome é muito delicada porque o indivíduo perde a razão de se sentir vivo. Não é suicida, mas fica internamente desejando o fim da vida. Amargo, torna-se cada dia mais intransigente, cerca-se de regras, disciplinas, ética e uma certa hipocrisia. Não encara a síndrome porque não aceita que uma doença emocional seja séria, é difícil encará-la até mesmo como doença. Ao procurar ajudá-lo, não toque no assunto: vá devagar, pelas bordas.

    URANO - normalmente quando procura ajuda a situação já está bastante delicada. Tratamentos que envolvam contato físico, como a terapia do abraço, dão resultados sólidos. Afasta-se das pessoas, sente-se magoado, mas não sabe com quem ou por quê. É difícil diagnosticar o que provocou a síndrome por causa da demora em procurar um tratamento. Normalmente já usou todos os tipos de tratamentos alternativos na automedicação, o que dificulta mais ainda precisar um diagnóstico.

    NETUNO -  é o segundo quadro mais conhecido da síndrome: estão presentes o medo, as alucinações e a fraqueza física e emocional. Tende ao suicídio, torna-se vítima de si mesmo, fica preso à casa 12 de tal forma que é capaz de vegetar numa cama com alguma "doença" psicossomática por longo período. Difícil precisar seu início; normalmente, o excesso de "eu compreendo" e os sacrifícios que faz pela vida, anulando o self, têm grande parte nisso. Em alguns atendimentos, a decepção com pessoas do seu convívio familiar, incluindo traição amorosa de um dos pais, desencadeou uma agressividade, seguida de constantes "encrencas", envolvimento com drogas e suicídio. Dificilmente procura ajuda por si: a maioria dos meus casos chegou a mim pela benevolência de alguém próximo à pessoa. O tratamento é bastante longo e os melhores resultados envolviam algum tipo de tratamento espiritual ou religioso, ou seja, o fortalecimento do espírito antes do físico.

    PLUTÃO -   é o caso mais conhecido da síndrome, normalmente desencadeada por ter o paciente chegado ao fundo do poço, seja material, emocional ou sentimental. Reage de forma violenta, ataca e culpa outras pessoas, envolve todos os que o rodeiam na sua síndrome, magoa, agride física e emocionalmente, não deixa ninguém de fora. Suas tentativas de suicídio deixam diversos sinais culpando alguém, numa forma de se justificar, mas dificilmente dão certo, na maioria das vezes é um artifício para chamar a atenção. Em todo caso, este tipo de pedido de socorro deve ser levado a sério. A dificuldade em tratá-lo deve-se à falta de percepção do paciente quanto a sua parcela de culpa. Encontrando a melhor forma de trabalhar seu self, os resultados superam as expectativas de forma muito rápida. 

     

     

     

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 16h33
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    MORRER É PRECISO

    Eu tenho um fascínio pelo mistério e tudo o que o envolve.  Minha atração pela astrologia me faz trilhar por pegadas alternativas da psicologia ao tentar

    desvendar  o bicho-homem através da simbologia, da mitologia, da religiosidade, do místico e do inconsciente coletivo.  A morte também faz parte dessa amplitude

     do mistério.   De onde viemos, por que estamos aqui e para onde vamos é a questão que nos persegue por toda a existência... É por isso que nesse espaço eu vou estar

    sempre  dando as minhas pinceladas pelo universo espetacular que envolve a vida e a morte, sem deixar de exaltar a arte, a poesia, a fotografia e tudo o que faz essa

     nossa  passagem mais bonita.

    Elaine.

       

    Por Paulo Angelim *  

     

     

    Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte.  E precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio a morte nada mais é que o ponto de partida para o início de algo novo, a fronteira entre o passado e o futuro.

     

    Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas. Quer ter um bom relacionamento? Então mate dentro de você o jovem inseguro, ciumento, crítico, exigente, imaturo, egoísta ou o solteiro solto que pensa que pode fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projeto e tempo com mais ninguém . Quer ter boas amizades? Então mate dentro de si a pessoa insatisfeita e descompromissada, que só pensa em si mesmo. Mate a vontade de tentar manipular as pessoas de acordo com a sua conveniência. Respeite seus amigos, colegas de trabalho e vizinhos, enfim todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.

     

    E qual o risco de não agirmos assim?O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo essa produtividade, e, por fim prejudicando nosso sucesso. Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam.

     

    Acabam se transformando em projetos acabados, híbridos, adultos infantilizados. Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos as virtudes de criança, que também são necessárias. 

     

    Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar atitudes infantis, para passarmos a agir como adultos.

     

    Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e evoluído? Então, o que você precisa matar em si, ainda hoje, é o "egoísmo" é o "egocentrismo", para que nasça o ser que você tanto deseja ser. Pense nisso e morra. Mas, não esqueça de nascer melhor ainda.

        

    *Paulo Angelim  é arquiteto, pós-graduado em marketing.

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 17h05
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    SOCORRO

     

    Letra: Alice Ruiz

     socorro, eu não estou sentindo nada.
    nem medo, nem calor, nem fogo,
    não vai dar mais pra chorar
    nem pra rir.

    socorro, alguma alma, mesmo que penada,
    me empreste suas penas.
    já não sinto amor nem dor,
    já não sinto nada.

    socorro, alguém me dê um coração,
    que esse já não bate nem apanha.
    por favor, uma emoção pequena,
    qualquer coisa que se sinta,
    tem tantos sentimentos,
    deve ter algum que sirva.

    socorro, alguma rua que me dê sentido,
    em qualquer cruzamento,
    acostamento, encruzilhada,
    socorro, eu já não sinto nada



    Escrito por Elaine Bertone às 10h53
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    * H A I K A I

     Por  Elaine Bertone

    O que é um haikai?  Segundo a  Wikipédia, a enciclopédia livre  da internet, Haikai  é uma forma poética de origem  japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade.  Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras japonesas e sete letras  na segunda linha.  O haikai  é tradicionalmente impresso em uma única linha vertical, mas  na nossa Língua Portuguesa, ele aparece em três linhas paralelas.

    O  principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática espiritual.

    Alice Ruiz,  na foto comigo,  começou a escrever contos com 9 anos de idade  e versos, aos 16. Foi  "poeta de gaveta"  até os 26 anos, quando publicou, em revistas e jornais culturais, alguns poemas. Mas só lançou seu primeiro livro aos 34 anos.

    Aos 22 anos casou com Paulo Leminski e pela primeira vez, mostrou a alguém o que escrevia. Surpreso, Leminski comentou que ela escrevia haikais,  termo que até então Alice não conhecia. Mas encantou-se com a forma poética japonesa, passando então estudar com profundidade o haicai e seus poetas, tendo traduzido quatro livros de autores e autoras japonesas, nos anos  80.

    Alice publicou, até agora, 15 livros, entre poesia, traduções e uma história infantil.

     

    HAIKAIS TRADUZIDOS  POR  ALICE

     

    Nudez

     

    O pé do ipê
    flor a folha despido
    empertiga-se
     
    Issa Kobayashi
     

     

    Presente

    Campânulas
    minha cabana ganhou
    um novo telhado
     
    Issa Kobayashi

    *******************************************************

    HAIKAIS ESCRITOS   POR  ALICE

    DO LIVRO: Conversa de passarinhos

    basta um galhinho
    e vira trapezista
    o passarinho

    DO LIVRO:  Salada de Frutas

    plantei uva para o vinho
    para as festas, para as passas
    só deu batatas

     

     

    HAIKAI DE MINHA AUTORIA

    Delicadeza

     

    um dente-de-leão

    se desfaz ao vento

    neve de algodão

     

    (28.06.09)

     

    *  Nota:  Haikai  ou haicai  =  a grafia de ambos está correta.


    Escrito por Elaine Bertone às 21h33
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    MINHA VISITA AO CEU

     

    Por Elaine Bertone

     

    2009 é o Ano Internacional da Astronomia e aproveitando o fato de que hoje, 20 de julho, faz exatamente

    40 anos que o homem pisou pela primeira vez na Lua, quero escrever sobre a minha visita, neste fim de semana,

    ao CEU -Centro de Estudos do Universo, que fica em Brotas, interior do Estado de São Paulo. Conhecida pelas

    maravilhosas cachoeiras, trilhas e esportes radicais que a transformaram num centro de referência turística,

    Brotas é uma cidade bastante visitada, porém, poucas pessoas sabem da existência do CEU e do trabalho que lá se

    realiza.

    Quem já foi ao planetário em São Paulo, no Ibirapuera, sabe do que estou falando. O CEU, assim como o planetário

    deixam você mais pertinho das estrelas, dos planetas e de todo o cosmos e a razão disso é simples: esse centro de

    estudos astronômicos está equipado de vários telescópios em diferentes pontos do lugar, para que os visitantes

    tenham a chance de se revesar nas filas e possam observar alguns pontos estratégicos do espaço.

    Antes dessa experiência, porém, todos os visitantes têm acesso a duas apresentações  multimídia, cuja finalidade

    é informar e deixar a todos mais familiarizados com a posição dos planetas do nosso sistema solar, com as

    constelações -- que podem ser vistas no céu do Brasil, com a formação de uma estrela ou de nebulosas entre outras

    curiosidades...

    Eu tive a nítida impressão de estar viajando através de um foguete pelo espaço. Confesso que a sensação é muito

    estimulante e ouso dizer que os efeitos visuais do CEU, não deixam nada a desejar, se comparado ao show do planetário

    em São Paulo.

    Se por alguma razão o visitante não puder ter acesso ao telescópio, seja por causa de uma repentina formação de

    nuvens ou de um tempo nublado, a pessoa  recebe um cupom que lhe permite voltar, para fazer gratuitamente a

    observação numa outra oportunidade, haja vista que o cupom não tem data de validade.

     



    Escrito por Elaine Bertone às 21h27
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    A MORTE

    O ponto de reunião é no infinito...

    Por  Victor  Hugo

    A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra. Na morte o homem acaba, e a alma começa.

    Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto. Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?

    Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser. O que constitui o meu eu, irá além.

    O homem é um prisioneiro. O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra, coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.

    Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspira o ar livre, vê a luz.

    Assim é o homem. O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade. Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?

    Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo, de que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?

    A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo. É por demais pesado para esta Terra.

    O mundo luminoso é o mundo invisível. O mundo do luminoso é o que não vemos. Os nossos olhos carnais só vêem a noite.

    A morte é uma mudança de vestimenta. A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.

    Na morte o homem fica sendo imortal. A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a Terra, pelo peso que faz nela.

    A morte é uma continuação. Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.

    As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz, aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.

    O ponto de reunião é no infinito.

    Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.

    Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito.



    Escrito por Elaine Bertone às 01h06
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    POR UM FIO

     Aproveitando o Festival Internacional de Poesia que acontece agora em Dois Córregos   ( 26 a 28 de junho), faço menção a um dos poetas/palestrantes que estará abrilhantando o evento.

     

    .
    Por um fio
    .
    .
    *José Miguel Wisnik e Paulo Neves
    .
    .
    Por um fio eu me parto em dois
    .
    Aceito o que a sorte dispôs
    .
    No meu caminho
    .
    Vejo a vida, a morte e o depois
    .
    Não vou viver jamais sozinho
    .
    Porque sou dois
    .
    Sou mais que dois
    .
    Sou muitos fios
    .
    Que vão se tecendo
    .
    Com a voz do outro em mim
    .
    E quem canta não sabe o fim
    .
    Com medo e alegria
    .
    Ele anda por um fio
    * José Miguel Wisnik -é professor de Teoria Literária na USP, e também um dos grandes compositores da atualidade, dentro da música contemporânea paulista.
    .
    Com os olhos voltados para a música, uniu em seu mestrado e doutorado literatura e música, assim como fez com sua vida.
    .
    Excepcional músico e grande poeta, tem parcerias com artistas do porte de Alice Ruiz, Luiz Tatit, Caetano Veloso e Tom Zé, entre outros.


    Escrito por Elaine Bertone às 10h45
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    POR QUE CAMINHAR, SE PODES VOAR?

     

    Por  Isha

     



    Escrito por Elaine Bertone às 15h06
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    COMENTÁRIO QUE MERECE DESTAQUE!

    ledastrol@yahoo.com.br


    "Quando o médico , o engenheiro, o advogado, etc, não precisarem mais do diploma....vão ser todos  políticos, já que não precisa diploma pra ser político no Brasil."



    Escrito por Elaine Bertone às 19h45
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    O FIM DO DIPLOMA PARA JORNALISTA

     

    Faço minhas as palavras do meu colega blogueiro  LEANDRO FORTES

     

    O fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo é uma derrota para a sociedade brasileira, não esta que discute alegremente conceitos de liberdade de expressão e acredita nas flores vencendo o canhão, mas outra, excluída da discussão sobre os valores e os defeitos da chamada "grande imprensa". São os milhões de brasileiros informados por esquemas regionais de imprensa, aí incluídos jornais, rádios, emissoras de TV e sites de muitas das capitais brasileiras, cujo único controle de qualidade nas redações era exercido pela necessidade do diploma e a vigilância nem sempre eficiente, mas necessária, dos sindicatos sobre o cumprimento desse requisito.
    Tenho ouvido, há anos, como continuei ouvindo, hoje, quando o STF decidiu por oito votos a um acabar com a obrigatoriedade do diploma, essa lengalenga interminável sobre os riscos que a liberdade de expressão sofria com a restrição legal a candidatos a jornalistas sem formação acadêmica específica. Esse discurso enviesado de paixão patronal, adulado aqui e ali por jornalistas dispostos a se sintonizar com os sempre citados países do Primeiro Mundo que não exigem diploma, gerou uma percepção falaciosa, para dizer o mínimo, de que para ser jornalista basta apenas ter jeito para a coisa, saber escrever, ser comunicativo ou, como citou um desses ministros do STF, "ter olho clínico". Foi baseado nesse amontoado de bobagens, dentro de uma anti-percepção da realidade do ofício, que se votou contra o diploma no Supremo.
    Conheço e respeito alguns (poucos) jornalistas, excelentes jornalistas, que sempre defenderam o fim do diploma, e não porque foram cooptados pelo patronato, mas por se fixarem em bons exemplos e na própria e bem sucedida experiência. São jornalistas de outros tempos, de outras redações, de outra e mais complexa realidade brasileira, mais rica, em vários sentidos, de substância política e social. Não é o que vivemos hoje. Não por acaso, e em tom de deboche calculado, o ministro Gilmar Mendes, que processa jornalistas que o criticam e crê numa imprensa controlada, comparou jornalistas a cozinheiros e costureiros ao declarar seu voto pelo fim da obrigatoriedade do diploma. É uma maneira marota de comemorar o fim da influência dos meios acadêmicos de esquerda, historicamente abrigados nas faculdades de jornalismo, na formação dos repórteres brasileiros.
    Sem precisar buscar jornalistas formados, os donos dos meios de comunicação terão uma farta pescaria em mar aberto. Muito da deficiência dessa discussão vem do fato de que ela foi feita sempre pelo olhar da mídia graúda, dos jornalões, dos barões da imprensa e de seus porta-vozes bem remunerados. Eu, que venho de redações pequenas e mal amanhadas da Bahia, fico imaginando como é que essa resolução vai repercutir nas redações dos pequenos jornais do interior do Brasil, estes já contaminados até a medula pelos poderes políticos locais. Arrisco um palpite: serão infestados por jagunços, capangas, cabos eleitorais e familiares.
    O fim da obrigatoriedade do diploma vai, também, potencializar um fenômeno que já provoca um estrago razoável na composição das redações dos grandes veículos de comunicação: a proliferação e a expansão desses cursinhos de trainee, fábricas de monstrinhos competitivos e doutrinados para fazer tudo-o-que-seu-mestre-mandar. Ao invés de termos viabilizado a melhoria dos cursos de jornalismo, de termos criado condições para que os grandes jornalistas brasileiros se animassem a dar aulas para os jovens aspirantes a repórteres, chegamos a esse abismo no fundo do qual se comemora uma derrota.
    De minha parte, acho uma pena.



    Escrito por Elaine Bertone às 12h00
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    O PRINCÍPIO DO VAZIO

     

     

    Por  Joseph Newton

    Tens o hábito de juntar objetos inúteis neste momento, crendo que um dia (não sabes quando) poderás precisar deles. Tens o hábito de juntar dinheiro só para não o gastar, pois pensas que no futuro poderá fazer falta.Tens o hábito de guardar roupa, brinquedos, sapatos, movéis, utensílios domésticos e outras coisas que já não usas há bastante tempo. Tens o hábito de guardar o que sentes, broncas, ressentimentos, tristezas, medos, pessoas, etc. …E dentro de ti ?…

    Não faças isso! É anti-prosperidade. É preciso criar um espaço, um vazio, para que as coisas novas cheguem à tua vida. É preciso eliminar o que é inútil em ti e na tua vida, para que a prosperidade venha. É a força desse vazio que absorverá e atrairá tudo o que tu desejas. Enquanto estiveres material ou emocionalmente carregado de coisas velhas e inúteis, não haverá espaço aberto para novas oportunidades. Os bens precisam de circular…

    Limpa as gavetas, os armários, o teu quarto, a garagem. Dá o que tu já não usas. A atitude de guardar um montão de coisas inúteis amarra a tua vida. Não são os objectos guardados que param a tua vida, mas o significado da atitude de guardar. Quando se guarda, considera-se a possibilidade de falta,
    de carência. É acreditar que amanhã poderá faltar e tu não terás meios de prover às tuas necessidades. Com essa postura, tu estás a enviar duas mensagens para o teu cérebro e para a tua vida:
    1º… tu não confias no amanhã
    2º… tu crês que o novo e o melhor NÃO são para ti, já que te alegras com guardar coisas velhas e inúteis.



    Escrito por Elaine Bertone às 15h29
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    HOMENAGEM AO DIA DOS NAMORADOS...

    QUE O AMOR DESABROCHE   NOS  CORAÇÕES  HUMANOS ...

    " COMO UMA ORQUÍDEA "  -  como diz  essa canção do YANNI

     



    Escrito por Elaine Bertone às 00h40
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     LiNa - QingZangGaoYuan

    canção tibetana



    Escrito por Elaine Bertone às 20h56
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    ORAÇÃO DE MAHATMA GANDHI

     



    Escrito por Elaine Bertone às 20h39
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    FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2009



    Escrito por Elaine Bertone às 19h50
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    Escrito por Elaine Bertone às 17h54
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    A COMPLICADA ARTE DE VER

    Por Rubem Alves

    Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

    Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

    Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.


    William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

    Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

    Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

    Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

    A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

    Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

    Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


    O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 17h48
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     TOQUINHO - RECEITA DE FELICIDADE



    Escrito por Elaine Bertone às 15h58
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    RECEITA DE ALEGRIA

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     Por  Pablo  Picasso

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     




    Joga fora todos os números não essenciais para tua sobrevivência.
    Isto inclui:
    idade,
    peso
    e altura.

    Que eles preocupem ao médico.
    Para isto o pagamos.
    Conviva, de preferência,
    com amigos alegres.
    Os pessimistas não são
    convenientes para ti.

    Continua aprendendo...
    Aprenda mais sobre computadores,
    artesanato,
    jardinagem,
    qualquer coisa...

    Não deixe teu cérebro desocupado.
    Uma mente sem uso
    é oficina do diabo.
    E o nome do diabo é “Alzheimer”.

    Ria sempre,
    muito e alto.
    Ria até não
    poder mais.
    Inclusive de ti mesmo!

    Quando as lágrimas chegarem:
    agüenta, sofre e...
    Segue adiante.

    Agradeça cada dia que amanhece
    como uma nova oportunidade

     

    para fazer aquilo que ainda não tiveste coragem de começar.

    Do princípio ao fim.

    Prefira novos caminhos
    do que voltar a
    caminhos mil vezes trilhados.

    Apaga o cinza de tua vida.

     

    E acenda as cores que carregas dentro de ti.

    Desperta teus sentidos para que não percas tudo de belo e formoso que te cerca.

    Contagia de alegria ao teu redor,
    e tenta ir além das fronteiras pessoais a que tenhas chegado aprisionado pelo tempo.

    Porém lembra-te:
    a única pessoa que te acompanha a vida inteira és tu mesmo.

    Cerca-te daquilo que gostas:
    família,
    animais,
    lembranças,
    música,
    plantas,
    um hobby,
    seja o que for...

    Teu lar é teu refúgio, porém não fiques trancado nele.

    Teu melhor capital,
    a saúde.

    Aproveite-a
    Se é boa,
    não a desperdice;
    se não é,
    não a estrague mais.

    Não se renda à nostalgia.

    Sai à rua.
    Vá à uma cidade vizinha,
    a um país estrangeiro...
    Porém não viaja
    ao passado porque,dói!

    Diz aos que amas,
    que realmente os amas e
    faça isso em todas
    as oportunidades que tiver.

    E lembra-te sempre que
    a vida não se mede pelo número de vezes que respirastes, mas pelos momentos que teu coração palpitou forte:

    de muito rir...
    de surpresa...
    de êxtase...
    de felicidade...

    E sobretudo...
    de amar sem medida.

    “Há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há também as que fazem
    de uma simples
    mancha amarela
    o próprio sol.”

     

     

         

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     



    Escrito por Elaine Bertone às 15h42
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    A VOZ DO SILÊNCIO

     Simon and Garfunkel - The Sound of Silence

     

    Por Martha Medeiros

    Pior do que a voz que cala,
    é um silêncio que fala.

    Simples, rápido! E quanta força!

    Imediatamente me veio à cabeça situações
    em que o silêncio me disse verdades terríveis,
    pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
    Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
    Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

    Silêncios que falam sobre desinteresse,
    esquecimento, recusas.

    Quantas coisas são ditas na quietude,
    depois de uma discussão.
    O perdão não vem, nem um beijo,
    nem uma gargalhada
    para acabar com o clima de tensão.

    Só ele permanece imutável,
    o silêncio, a ante-sala do fim.

    É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
    que a gente não quer ouvir,
    pois ao menos as palavras que são ditas
    indicam uma tentativa de entendimento.

    Cordas vocais em funcionamento
    articulam argumentos,
    expõem suas queixas, jogam limpo.
    Já o silêncio arquiteta planos
    que não são compartilhados.
    Quando nada é dito, nada fica combinado.

    Quantas vezes, numa discussão histérica,
    ouvimos um dos dois gritar:
    "Diz alguma coisa, mas não fica
    aí parado me olhando!"

    É o silêncio de um, mandando más notícias
    para o desespero do outro.

    É claro que há muitas situações
    em que o silêncio é bem-vindo.
    Para um cara que trabalha
    com uma britadeira na rua,
    o silêncio é um bálsamo.
    Para a professora de uma creche,
    o silêncio é um presente.
    Para os seguranças de um show de rock,
    o silêncio é um sonho.

    Mesmo no amor,
    quando a relação é sólida e madura,
    o silêncio a dois não incomoda,
    pois é o silêncio da paz.

    O único silêncio que perturba,
    é aquele que fala.

    E fala alto.

    É quando ninguém bate à nossa porta,
    não há e-mails na caixa de entrada
    não há recados na secretária eletrônica
    e mesmo assim, você entende a mensagem



    Escrito por Elaine Bertone às 15h39
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     saltimbancos trapalhoes - A historia de uma gata



    Escrito por Elaine Bertone às 23h39
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    GATOS

                              ( Mittens - a gata do filme  Bolt - o supercão)

    Por Arthur da Távola

     

    Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso.
    Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.

    O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
    Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?
    Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser. O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.
    Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
    Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
    O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
    O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
    Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
    Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
    O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
    Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.
    Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
    O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.
    .



    Escrito por Elaine Bertone às 23h22
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